JUVENTUDE CINÉFILA, o Clube de Cinema da Casa da Boavista entrou em ação

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Num ambiente de total descontração e boa disposição, os  Cineséniores visualizaram a curta-metragem: “Pronto, era assim” de Joana Nogueira e Patrícia Rodrigues e adoraram. Num ápice tornaram-se protagonistas das suas histórias de vida. Ah,  como foi bom ouvi-los durante o cinedebate!

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Primeiro a atenção, depois a  interpretação. Por exemplo, a D. Delfina diz que a D. Jarra quis casar de branco porque esta cor “representa a pureza”. E  quando no filme a D. Balança afirma “eu fiz a minha filha de pé”, a D. Augusta acrescenta que “não é preciso ir para a cama para brincar”.

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A articulação das memórias pessoais com as histórias das personagens permite uma rememoração e uma reflexão sobre o que se fez, quem se é e quem persiste em ser.
A D. Augusta rejubilou quando ouviu o episódio da D. Balança sobre a jeropiga que a vendedora da Régua fazia e levava para o Porto para vender, dizendo que também o “meu pai e a minha mãe faziam jeropiga, mas no fim bebiam água.”
As histórias multiplicaram-se e saíram tão espontaneamente dos nossos adoráveis cineséniores: a D. Augusta foi viveirista do parque florestal, o Sr. Joaquim foi condutor de autocarros, a D. Amélia de Pascoaes “trabalhava para além de receber artistas na Casa de Pascoaes”.

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A D. Mizinha “estudava no Colégio Santo Ildefonso, tirava um bocadinho para brincar e gostava muito de estudar Francês.”
O Sr. Ramos afirma que teve muitas profissões e que esteve muito tempo no Brasil.

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A D. Joaquina, munida com a botija de oxigénio, balbucia que era “encarregada numa empresa de limpeza”.
E sobre a igualdade de género a D. Augusta afirma que “desde que haja respeito, homens e mulheres podem trabalhar em conjunto. O respeito de um traz o do outro.” Quanta “maioridade mental”,  diria o filósofo Kant.

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O Sr. Silva lembra-se de jogar “à bola de pano” e ser certeiro porque “marcava aos 15 golos”. A “partir dos 15 anos fui carteiro até aos 66 anos”.  E este  nobre mensageiro relembrou-me o filme “Il Postino”  de Michael Radford, 1994, o carteiro de Pablo Neruda.

“Será que a velhice é uma metáfora de alguma coisa?”

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Discutir o envelhecimento dentro de filmes ou com os filmes?
As memórias estão vivas, é só preciso desenterrá-las. Como diz Teixeira de Pascoaes “Existir não é pensar, é ser lembrado”.

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Contei com as preciosas ajudas do Diogo Gonçalves, Educador Social, das alunas do 11.º CLH1 Margarida, Catarina e Mariana e da finalista da licenciatura em Cinema, Débora Gonçalves.
A Educação para uma Ética da Responsabilidade com os valores de tolerância, de respeito pelo outro e da sua dignidade, a aprendizagem do escutar, isto é filosofia prática, fora da sala, como muito me apraz.
No final, ainda tivemos direito a assistir à D. Carmina e ao Sr. Machado transformados num casal de realizadores, enquanto a D. Augusta e o Sr. António tiveram um caso e adiaram “ad aeternum’ o seu enlace.

DSC_0137 DSC_0159E mais uma vez trouxe um Coração vermelhinho, cosido pelas mãos delicadas da D. Carmina, que celebra a(s) Vida(s).

DSC_0017Que momentos preciosos de aprendizagem, partilha e Afectos desencadeados pela maravilhosa curta metragem “Pronto, era assim”. Foi uma tarde tão linda!

Como escreveu a  jovem Margarida: “Esta foi das melhores experiências que vivi e espero, ansiosamente, por mais tardes destas!”.

Até breve!

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