Aniki Bóbó apresentado por Jorge Campos

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Jorge Campos esteve, no dia 12 de junho, no Cineclube de Amarante com uma plateia de 180 alunos e respectivos professores da Escola Secundária/3 de Amarante para apresentar o filme “Aniki Bóbó” de Manoel de Oliveira e dinamizar a sessão. Atendendo à faixa etária dos alunos, referiu-se ao consumismo desenfreado e a-crítico das imagens em movimento, que passa pelo seu visionamento nos computadores…muitas vezes interrompido por outros afazeres e logo retomado. Falou sobre a importância da aprendizagem da leitura das imagens e contextualizou, ao nível da história do cinema, a criação de Aniki Bóbó como um dos filmes percursores do neo-realismo, referindo a particularidade do filme ter sido muito mal recebido aquando da sua estreia por ter sido considerado “escandaloso” pela relação triangular (Carlitos-Teresinha-Eduardinho) de que todo o argumento fílmico se alimenta.
Desvendou algumas das inúmeras conversas que manteve com Manoel de Oliveira – dado que eram vizinhos –, exaltando a sua originalidade, complexidade e genialidade enquanto realizador.
Após a contemplação da obra cinematográfica, Jorge Campos afirmou que “um filme só pode ser analisado após ter sido visionado, duas ou três vezes, porque o olhar educa-se e opera por camadas cada vez mais profundas.”
Interpelou os alunos sobre o perfil das personagens, o jogo de sombras, a importância da noite (despertadora dos fantasmas e da transgressão), e o papel da consciência moral, explicando porque é a história destes miúdos da zona ribeirinha de Porto-Gaia é, simultaneamente, pessoal e universal.
E o Duarte do 7.º B dizia-me, no final da exibição, “Para ser um filme a preto e branco e tão antigo…até foi interessante e engraçado.”
E creio que este é o objectivo primacial do PNC: desconstruir preconceitos. Preconceito de que os filmes de Manoel de Oliveira são “chatos”. Preconceito de que um filme a preto e branco não pode ser fruído ou alvo da experiência estética de jovens alunos.
E esta aprendizagem perdurará nos alunos. Sinto que a próxima vez que visionarem um filme do Mestre será antecedida por desmesurado entusiasmo.
No final da sessão, um grupo de alunos do 10.º ano, turma de Artes Visuais, aproveitou o privilégio que constitui a presença de Jorge Campos e prolongou a conversa sobre o filme.
Confesso que a reacção dos jovens dos 12 aos 15 anos ao filme foi notável e absolutamente singular: um longo aplauso em uníssono fez-se ouvir na sala de Cinema Teixeira de Pascoaes. E Jorge campos, antes de tecer quaisquer considerações sobre o filme e colocar questões aos alunos, disse-lhes que nunca em momento algum, após as inúmeras exibições a que assistiu do filme, tinha presenciado tal ovação. Manoel de Oliveira merece. Jorge Campos também.
Obrigada.

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