
“Se a força é a razão, então o Amor não tem lugar neste mundo.”
Padre Gabriel (Jeremy Irons)
Numa articulação com os conteúdos curriculares da disciplina de Português e suas professoras (Ana Cristina Coutinho, Teresa Mafalda, Mariana Carvalho, Isabel Cerqueira, Adélia Fonseca, Almerinda Coutinho) o Filocinema exibiu, do dia 26 de setembro ao dia 11 de novembro, o filme de Roland Joffé para alunos e professores do ensino regular e do ensino profissional.
Das muitas interrogações que o filme suscitou deixo a seguinte: “O que nos humaniza?”
De dentro para fora do filme, alguns alunos assumiram como missão escrever a alguns líderes políticos como Benjamin Netanyahu, Marcelo Rebelo de Sousa, Donald Trump, António Guterres ou a António Jorge Ricardo. Eis algumas dessas mensagens:
O Vicente Marques, do 11º CT2, escreveu a seguinte reflexão:
“O filme A Missão (1986), realizado por Roland Joffé, é uma obra cinematográfica de extraordinária profundidade que combina emoção, reflexão histórica e dilemas morais, de um modo envolvente e intenso.

A ação principal desenrola-se no final do século XVIII, aquando da colonização da América do Sul, e acompanha o percurso de Mendoza, um vendedor de escravos, que procura redenção, devido aos erros do passado, decidindo tornar-se jesuíta. Tendo por referência as opções que esta personagem vai assumindo, o filme explora, de forma satírica e moralizadora, o conflito entre a fé e os interesses económicos, entre a justiça e a violência, revelando, no fundo, a complexidade da consciência humana e o poder transformador da coragem e da ética individual. Além das ações, que levam a um questionamento pedagógico, também é necessário salientar que os seus efeitos especiais, os cenários e a música contribuem para potenciar a reflexão e para conferirem mais força emocional à história. Como tal, facilmente nos deixamos prender pelos cenários naturais, como é o caso das paisagens exuberantes e imponentes da selva, que são filmados com grande sensibilidade, transmitindo a beleza, a vastidão e a força da natureza, em contraste com a crueldade e brutalidade dos colonizadores. Cada enquadramento é construído com pormenores impactantes que envolvem o espectador e reforçam a intensidade dramática das cenas. Não menos importante é a música de Ennio Morricone, com melodias belíssimas e coros inspiradores, que alterna entre momentos de serenidade e tensão, tornando cada instante retratado ainda mais memorável e carregado de emoção.

Todavia, o momento que mais me impressionou, onde as opções artísticas supracitadas se combinaram, num crescendo de intensidade dramática, foi quando outra personagem de destaque, Padre Gabriel, caminhou em procissão, na cena final, com o Santíssimo Sacramento presente na custódia, oferecendo-se às balas, sem recorrer a qualquer tipo de violência, tentando defender os nativos indígenas. Este gesto revela, sem dúvida, a sua coragem inabalável, a fé profunda e a entrega total aos valores jesuítas, como a proteção dos mais vulneráveis e a defesa da justiça moral. A serenidade, determinação e devoção deste eclesiástico, diante da morte, tornam, de facto, esta cena inesquecível, transmitindo uma sensação de transcendência e impondo respeito pelo seu sacrifício.
Em suma, A Missão é um filme que combina, de forma brilhante, cenários deslumbrantes, música envolvente e mensagens éticas profundas. Na figura do padre Gabriel e na do protagonista, traduz-se o sacrifício final, que eleva a obra a um nível emocional e espiritual extraordinário, promovendo-se, assim, uma reflexão sobre coragem, fé, humanidade, e valorizando-se, também, a importância de qualquer ser humano lutar pelo que é justo, mesmo que as situações sejam adversas. Este é um filme inesquecível, que, certamente, merece ser (re)visto!”
Muitos parabéns pelos vossas missivas e reflexões!

















