{"id":346,"date":"2016-01-12T21:20:19","date_gmt":"2016-01-12T21:20:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/?p=346"},"modified":"2016-01-15T13:30:50","modified_gmt":"2016-01-15T13:30:50","slug":"o-cinema-na-esa-segundo-debora-goncalves","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/index.php\/2016\/01\/12\/o-cinema-na-esa-segundo-debora-goncalves\/","title":{"rendered":"O Cinema na ESA. Por D\u00e9bora Gon\u00e7alves"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/O-Cinema-est\u00e1-\u00e0-tua-espera-dia-12-junho-CA-001.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"  wp-image-347 aligncenter\" src=\"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/O-Cinema-est\u00e1-\u00e0-tua-espera-dia-12-junho-CA-001-199x300.jpg\" alt=\"O Cinema est\u00e1 \u00e0 tua espera dia 12 junho CA 001\" width=\"240\" height=\"362\" srcset=\"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/O-Cinema-est\u00e1-\u00e0-tua-espera-dia-12-junho-CA-001-199x300.jpg 199w, http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/O-Cinema-est\u00e1-\u00e0-tua-espera-dia-12-junho-CA-001-681x1024.jpg 681w, http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/O-Cinema-est\u00e1-\u00e0-tua-espera-dia-12-junho-CA-001.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Durante seis anos fui aluna da ESA. E nos \u00faltimos tr\u00eas anos convivi com a exist\u00eancia de um clube que me estimulava apenas porque eu sabia que existia. Inicialmente, e nos meus anos de novata, olhava para um cartaz afixado na parede e cuja fonte eu desconhecia, e ficava estranhamente satisfeita ao contempl\u00e1-lo. Havia cinema algures na ESA.<br \/>\nQuis o tempo que eu crescesse, e quase que incompreendidamente fui parar a uma sala de aula cuja professora era precisamente a mentora daquele clube que h\u00e1 anos eu sabia que existia. E que em sil\u00eancio reconhecia. Pude finalmente olhar o clube de cinema com os olhos de uma espetadora completamente enamorada, e como uma aluna extremamente grata pelo privil\u00e9gio de ser instru\u00edda a contemplar a arte que sempre sentira minha.<br \/>\nDescobri que o cartaz que durante anos me animara era da autoria de um professor da escola. J\u00falio Cunha \u00e9 o seu nome. Prezo-lhe o m\u00e9rito, agrade\u00e7o a cativa\u00e7\u00e3o que em mim gerou, e a diretriz que me providenciou.<br \/>\nRelembro, j\u00e1 com alguma nostalgia as curtas-metragens a que assisti e os momentos de puro debate que a elas se seguiam. N\u00f3s, turma e afins, est\u00e1vamos ali n\u00e3o s\u00f3 para ver mas para aprender a ser espetadores ativos, e cr\u00edticos. Sempre nos foi incutida uma regra, a de n\u00e3o sermos passivos. Reflet\u00edamos, discut\u00edamos e conclu\u00edamos. No final com bom grado por vezes rev\u00edamos o nosso objeto de an\u00e1lise. Outras vezes deix\u00e1vamos que a rotina fru\u00edsse e esper\u00e1vamos fervorosamente que nos colocasse de novo diante da arte que nos fazia acreditar que os verbos \u201caprender\u201d e \u201cser\u201d n\u00e3o se consagram apenas nos livros, e nos cadernos.<br \/>\nCom o tempo fui construindo uma maturidade cinematogr\u00e1fica, em grande parte gerada e impulsionada pelo ambiente cin\u00e9filo que felizmente a minha escola me proporcionava.<br \/>\nLamentava o pouco tempo dispon\u00edvel que tinha para analisar, e para viver aquela salinha ali ao lado da biblioteca. Esse espa\u00e7o que foi muitas vezes o meu ref\u00fagio clarificou-me a alma.<br \/>\nNo \u00faltimo ano do meu ensino secund\u00e1rio, vi a minha escola alcan\u00e7ar pelas m\u00e3os daquela que ser\u00e1 para sempre a minha mentora, um feito de inestim\u00e1vel valor. O plano nacional de cinema desabrochou, e rapidamente deu frutos. Declarei-o com especial emo\u00e7\u00e3o na \u00faltima reuni\u00e3o de conselho geral a que assisti, e deixei bem claro que enquanto representante dos alunos da escola me sentia desmesuradamente orgulhosa pelo passo que naquele ano tinha sido dado na Escola Secund\u00e1ria\/3 de Amarante.<br \/>\nAssumo que fui uma privilegiada. Pude assistir de perto ao erigir do projeto que mais me dizia, e do qual eu queria fazer parte dando o meu mais singelo e pequeno contributo. Apoiei firmemente a causa, e com um orgulho disfar\u00e7ado no meu sorriso procurei estar por perto. Vi o PNC a superar-se.<br \/>\nCreio que Manoel de Oliveira ficaria radiante s\u00f3 de imaginar a sala de cinema Teixeira de Pascoaes a abarrotar de mi\u00fados que em pouco tempo aprenderam a contemplar os filmes, e que naquele dia se desfizeram em alegria ao assistir ao primeiro dos filmes do mestre. Aniki Bob\u00f3 f\u00ea-los felizes. Talvez se tenham revisto um pouco nas aventuras de Carlitos e Eduardo para conquistar a Teresinha. E quem sabe se as travessuras do menino Batatinhas n\u00e3o refletem muitos dos alunos que agora aprendem a ser espetadores?<br \/>\nOs meus anos na ESA chegaram ao fim. Entrei uma crian\u00e7a, sa\u00ed quase uma mulher. Sagrou-se o momento de prosseguir. Hoje, sou aluna na Universidade da Beira Interior. Estou no primeiro ano da licenciatura, e Cinema foi a minha escolha. N\u00e3o podia estar mais certa da minha decis\u00e3o, agrade\u00e7o \u00e0 ESA e a quem nela me levou pela m\u00e3o e me ensinou a contemplar a arte que sempre fora a minha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00e9bora Gon\u00e7alves\u201c<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &#8220;Durante seis anos fui aluna da ESA. E nos \u00faltimos tr\u00eas anos convivi com a exist\u00eancia de um clube que me estimulava apenas porque eu sabia que existia. 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