{"id":2229,"date":"2017-03-14T14:35:08","date_gmt":"2017-03-14T14:35:08","guid":{"rendered":"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/?p=2229"},"modified":"2017-03-14T14:50:42","modified_gmt":"2017-03-14T14:50:42","slug":"waking-life-ou-o-despertar-de-sandra-pinheiro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/index.php\/2017\/03\/14\/waking-life-ou-o-despertar-de-sandra-pinheiro\/","title":{"rendered":"&#8220;Waking Life&#8221; ou o despertar de Sandra Pinheiro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Waking-life.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"  wp-image-2230 aligncenter\" src=\"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Waking-life-300x167.png\" alt=\"Waking life\" width=\"451\" height=\"251\" srcset=\"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Waking-life-300x167.png 300w, http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Waking-life-1024x571.png 1024w, http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Waking-life.png 1300w\" sizes=\"(max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/wakinglife.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"  wp-image-2231 aligncenter\" src=\"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/wakinglife-300x210.jpg\" alt=\"wakinglife\" width=\"451\" height=\"316\" srcset=\"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/wakinglife-300x210.jpg 300w, http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/wakinglife.jpg 509w\" sizes=\"(max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O cinema e a filosofia como meios para a interroga\u00e7\u00e3o. A arte e a educa\u00e7\u00e3o como vias para uma humaniza\u00e7\u00e3o. Fica a certeza que, com o PNC, j\u00e1 se consegue ver maior movimento neste sonho amorfo.&#8221;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/waking-life-poster.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"  wp-image-2232 aligncenter\" src=\"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/waking-life-poster-215x300.jpg\" alt=\"waking-life-poster\" width=\"367\" height=\"512\" srcset=\"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/waking-life-poster-215x300.jpg 215w, http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/waking-life-poster.jpg 520w\" sizes=\"(max-width: 367px) 100vw, 367px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica:<\/p>\n<p>T\u00edtulo original: Waking Life<br \/>\nDe: Richard Linklater<br \/>\nG\u00e9nero: Anima\u00e7\u00e3o, Drama<br \/>\nEUA, 2001, Cores, 977<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Waking life<\/em> \u00e9 um filme sobre a humanidade. Sobre n\u00f3s dentro do mundo e sobre o mundo imenso que h\u00e1 em n\u00f3s, consciente e inconsciente. Uma obra que retrata o caminho de um jovem na procura de si mesmo. Mas que representa muito mais, fala-nos de tudo, de um mundo doente, fala-nos da procura do significado da exist\u00eancia de um eu perante mim e perante todos. N\u00e3o ser\u00e1 urgente parar e refletirmos sobre que caminho estamos a tomar? \u00c9 urgente cogitar sobre o mist\u00e9rio que nos rodeia e do que somos. \u00c9 iminente, e \u00e9 imprudente n\u00e3o o fazermos num futuro pr\u00f3ximo.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 uma realidade nesta obra, s\u00e3o muitas, entrela\u00e7am-se e levam-nos a debater quest\u00f5es que levariam discuss\u00f5es de horas: o existencialismo, a arte, a religi\u00e3o, a identidade, o amor ou o \u00f3dio, os nossos medos e receios, a realidade ou o sonho, a liberdade e o livre-arb\u00edtrio.<br \/>\nO argumento f\u00edlmico envolve um jovem, que ora morreu ou se encontra preso dentro de um sonho e tenta agora acordar. N\u00e3o se sabe. Mas n\u00e3o \u00e9 importante sabermos, n\u00e3o nos quer dizer o realizador, ou se calhar diz-nos, n\u00f3s \u00e9 que ainda n\u00e3o sabemos. Podemos dividir o filme em duas partes. Na primeira, o jovem tem uma sucess\u00e3o de conversas com intelectuais de d\u00edspares \u00e1reas: arte, filosofia, ci\u00eancia ou religi\u00e3o. E embora seja t\u00e3o denso o conte\u00fado de cada conversa, o filme n\u00e3o se apoia numa \u00fanica teoria, mas numa vastid\u00e3o de pontos de vista passados e modernos da filosofia. A partir da\u00ed, na segunda parte, ora atormentado, ora desanimado com a informa\u00e7\u00e3o recebida, atrav\u00e9s de um longo caminho de autoconhecimento, o personagem deixa de ser um sonhador \u201cpassivo\u201d e tenta encontrar uma sa\u00edda do seu sonho.<br \/>\nH\u00e1 duas cenas que me intrigaram particularmente, numa delas, a personagem principal, interpretada pelo ator Willey Wiggins, encontra o professor de filosofia Rupert Solomon. Uma breve explica\u00e7\u00e3o sobre o existencialismo surge na tela, o professor afirma que n\u00e3o concorda com as ideias p\u00f3s-modernistas da filosofia, que reduzem o ser humano a um conjunto de constru\u00e7\u00f5es sociais, a uma conflu\u00eancia de for\u00e7as marginalizadas num ser. Esta no\u00e7\u00e3o dar-nos-ia, ent\u00e3o, a ideia que deixamos de ter responsabilidade sobre os nossos atos, bons ou maus, que somos seres que vagueiam sem um prop\u00f3sito, e que, por isso, temos a desculpa de n\u00e3o nos importarmos. Opondo-se a esta vis\u00e3o p\u00f3s-moderna do homem; o professor, rebusca a conce\u00e7\u00e3o de Sartre, que esclarece que o ser humano, sozinho no mundo, \u00e9 exatamente \u201caquilo que ele faz de si mesmo\u201d. E apoiando-me no fil\u00f3sofo franc\u00eas, se o homem \u00e9 livre para agir e n\u00e3o existem valores universais que sirvam de guia para a nossa exist\u00eancia, compete a cada indiv\u00edduo, construir valores que possam orientar as suas escolhas. A verdade, \u00e9 que acabaremos por \u201cser\u201d at\u00e9 ao \u00faltimo segundo das nossas vidas. Esta tarefa, que nos acompanhar\u00e1 por mais ou menos anos, \u00e9 a \u00fanica que impreterivelmente ficar\u00e1 connosco at\u00e9 ao fim. Por isso, ponderar escolhas e tomar decis\u00f5es dignas da era em que vivemos e da informa\u00e7\u00e3o a que temos acesso, \u00e9 quase uma obriga\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNa outra cena, fala-se sobre o significado das palavras, diz-se mesmo, \u201cAs palavras s\u00e3o inertes. S\u00e3o apenas s\u00edmbolos. Est\u00e3o mortas, sabe? [&#8230;] E, ainda assim, quando nos comunicamos uns com os outros e sentimos ter feito uma liga\u00e7\u00e3o, e termos sido compreendidos, acho que temos uma sensa\u00e7\u00e3o quase como uma comunh\u00e3o espiritual. E essa sensa\u00e7\u00e3o pode ser transit\u00f3ria, mas eu acho que \u00e9 para isso que vivemos.\u201d<br \/>\n\u00c9 com palavras que vivemos, sobrevivemos, \u00e9 por elas que olhamos, que nos transformamos. \u00c9 com palavras que nos constru\u00edmos a n\u00f3s e ao mundo. E se estas n\u00e3o fossem mais do que sons e constru\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas? E numa era digital, em que a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o vulgarizada, ser\u00e1 que nos estamos mesmo a compreender uns aos outros? O pensamento inicial de uma pessoa, expresso em palavras, ser\u00e1 percebido, na totalidade, pela outra? Ser\u00e1 que os leitores compreendem a minha mensagem?<br \/>\nResta-me dizer, que a qualidade da banda sonora, composta por Glover Gil e executada pelo grupo texano Tosca Tango Orchestra, o maravilhoso processo de anima\u00e7\u00e3o (rotoscoping) e a direta, simples, mas poderosa mensagem filos\u00f3fica, fazem deste filme, acess\u00edvel, questionador e um dos mais interessantes que poderemos alguma vez ver, enquanto estudantes, professores, jovens e adultos, que vivem quotidianamente dependentes de um sistema formatado, \u201cformigas\u201d da mesma col\u00f3nia. Estou certa que enquanto n\u00e3o chegarem tempos de maiores firmezas, podemos tornar este lugar-sonho, menos frustrante e in\u00f3spito, se tamb\u00e9m n\u00f3s percorrermos este caminho de auto-conhecimento.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 novo que os s\u00e9culos nos trouxeram problemas dif\u00edceis e que a filosofia pode dar-lhes uma resposta, aprofundar um tema e reduzir as conce\u00e7\u00f5es fechadas de certas realidades de que muitas vezes partilhamos. N\u00e3o \u00e9 novo que a tecnologia nos domina cada vez mais, que quebramos a f\u00f3rmula antiga de uma rela\u00e7\u00e3o entre duas pessoas, que vivemos tempos novos e cru\u00e9is, com desafiantes quest\u00f5es e que \u00e9 urgente procurarmos respostas. Mas tenho a convic\u00e7\u00e3o de que o caminho se tra\u00e7a por aqui, atrav\u00e9s de um questionamento constante, atrav\u00e9s do consumo de obras f\u00e1ceis, mas ruidosas como \u201cWaking Life\u201d.<br \/>\nDizia o realizador portugu\u00eas, JCM, que \u201cO cinema n\u00e3o \u00e9 mais do que um itiner\u00e1rio que instaura o reencontro consigo mesmo\u201d, e \u00e9 exatamente o que este filme e o projeto por tr\u00e1s dele, o plano nacional de cinema, nos t\u00eam ensinado. Que \u00e9 atrav\u00e9s do reencontro dos nossos medos, paix\u00f5es e pensamentos numa obra, que nos descobrimos. Que \u00e9 atrav\u00e9s da indaga\u00e7\u00e3o, de aprendizes constantes na vida, que procuram continuamente conhecimento, que nos constru\u00edmos. O cinema e a filosofia como meios para a interroga\u00e7\u00e3o. A arte e a educa\u00e7\u00e3o como vias para uma humaniza\u00e7\u00e3o. Fica a certeza que, com o PNC, j\u00e1 se consegue ver maior movimento neste sonho amorfo.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Sandra Pinheiro, 12\u00ba ano<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Dia-da-Filosofia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"  wp-image-2233 aligncenter\" src=\"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Dia-da-Filosofia-210x300.jpg\" alt=\"Dia da Filosofia\" width=\"359\" height=\"513\" srcset=\"http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Dia-da-Filosofia-210x300.jpg 210w, http:\/\/pnc.polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Dia-da-Filosofia.jpg 671w\" sizes=\"(max-width: 359px) 100vw, 359px\" \/><\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uk2DeTet98o\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &#8220;O cinema e a filosofia como meios para a interroga\u00e7\u00e3o. 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