Todos Os Gajos têm um tio Maluco (Afonso Cruz, 2006)

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“(…) O médico fazia-lhe perguntas para malucos, mas ele não ligava, só ligava ao Pessoa e ao Pessanha, queria era ficar de boca aberta a pensar em nada, devia sentir a falta dos pombos, acabaram por mandá-lo embora porque não havia lugares, os lugares eram precisos para os malucos assassinos e para os que espumam da boca. (…).”

Dinis Machado, O que Diz Molero, Lisboa, Quetzal Editores, 2014,  p.67

Ficha técnica:

Título: Todos os gajos têm um tio maluco
Realização: Afonso Cruz
Vozes: Carlos Fernandes, Carlos Loureiro, Frederico Bruckelmann, Isabel Cardoso,João Dória, João Grosso, José João Loureiro, José Neves, Kevin Rose, Lourenço Crespo, Luís Navega, Miguel Curado, Nuno Duarte, Sérgio Gomes, Teresa Sobral, Tiago Matias, Vera Fontes.
Música: Gonçalo Filipe Sousa, Paulo Curado
Produção: MC, ICAM, RTP
Género: Animação
Port., 2006, Cores, 6’

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O ano letivo iniciou-se e como toda a Educação e Ensino devem(riam) “desformatar” para potenciar a criação, na primeira aula do ano propus a contemplação da curta de animação “Todos os gajos têm um tio maluco” de Afonso Cruz, uma adaptação do romance de Dinis Machado, “O que diz Molero”.

Foram propostos três desafios que serviram de mote para a análise fílmica: 1.  Substituir o título, justificando o batismo/2. Destacar a cena mais importante, fundamentando a escolha/3.  Identificar uma “mania” do colega.

1. Títulos

“O mundo de cada pessoa.

Eu escolhi este título, uma vez que certas pessoas adotam um comportamento diferente (no caso deste pequeno filme, a tia de uma criança tinha uma obsessão por vestidos, outra apenas falava de comboios e serraduras e o tio de um rapaz vivia isolado de pessoas e rodeado por livros e pombos) daquilo que a sociedade impõe e consideram um padrão, por isso são vistas como malucas. Mas a verdade é que são diferentes e vivem no seu próprio mundo, daí a atribuição deste título.”

Maria Inês Bessa Pinheiro Teixeira, 11.º CT2

“A diferença está na indiferença

  Nós batizámos a curta com o nome “A diferença está na indiferença” porque embora os tios sejam diferentes aos olhos da sociedade pelos comportamentos únicos que têm, os sobrinhos mostram carinho e afinidade perante as suas singularidades, assumindo assim uma indiferença face aos pensamentos preconceituosos da sociedade.”

João Teixeira, Afonso Basto, Afonso Abreu, Nuno Mendes, Diogo Pereira, 11.º CT3

Outros títulos: 

“Comboios e serradura”;

“Preconceitos”;

“Diálogo de malucos”;

“(A)Normalidade”;

“A insanidade que nos torna únicos”;

“Vidas peculiares”;

“Queixumes”;

“Os nossos doidos amados”;

“Cada tio com as suas manias”.

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2. Cenas

“A cena mais importante é quando o tio fazia festas na cabeça do sobrinho, falava e ia-se embora. Por um lado, manifesta interesse no rapaz; por outro, afasta-se porque com aquele ar de quem pensa em “nada” tinha receio que o sobrinho fosse gozado por quem o desprezava.”

Francisco Costa, Mário Zoio, Miguel Silva, Vasco Fonseca, 11.º CT3

“A cena mais interessante foi saber que o tio se chamava Gustavo. Chamar alguém pelo nome é reconhecer que existe.”

Agostiano Moreno, Álvaro Ribeiro, Henrique Machado, João Silva, 11.º CT3

“O que mais nos marcou foi a cena em que o sobrinho do tio Gustavo referiu que gostaria de passar mais Natais com ele para o compreender melhor, reconhecendo-o como membro da sua família.”

Inês Monteiro, Rafael Osório, Lara Pinheiro, Maria Serdoura, 11.º CT3

“Os tios, na verdade, não são malucos, apenas têm comportamentos invulgares, aos quais os “gajos” não estão habituados, ou seja, manias que se foram revelando…”

Inês Costa, 12.º CLH2

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3. Manias…

– “está sempre a mexer nas orelhas”;

– “ri-se para dentro”;

– “Diz ‘ai’ antes de começar uma frase”;

– “reclama com tudo”;

– “traz sempre duas garrafas de água”;

– “é muito acolhedora”;

– “mastiga a língua”.

– “pisca o olho”.

“Concluímos, depois de observar esta curta metragem, que cada um tem a sua noção de ‘normalidade’, o que faz com que aos olhos dos outros, certas atitudes possam ser consideradas ‘anormais’.”

Cristina Vieira, Ana Vieira, Carolina Monteiro, Mariana Fernandes, Francisca Sardoeira, 12.º CLH2

“Esta curta, procura, a meu ver, enfatizar o quão falacioso o raciocínio humano pode ser, isto é, alguém dotado de uma personalidade distinta é imediatamente rotulado de “mentalmente instável.
Considero que este filme é a representação visual da subjetividade inerente ao conceito de “’normalidade’.
Em suma, algo que foge ao ‘ordinário’, de acordo com a perspetiva dos jovens, é absurdo, lunático e erradamente desvalorizado”.

Joana Ribeiro, 11.º CT4

“Mas afinal, o que é loucura? E se todos tivermos um pouco de insanidade”?

Lúcia Magalhães, 12.º CLH2

Ah! Esqueci-me de dizer que os meus alunos deitam fumo e comboios pela boca, ou seja, têm muitas ideias. Ora vejam:

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E será que temos um tio Maluco?

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Suspeito que as surpresas não ficarão por aqui…

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