“O meu Tio”. Por Gonçalo Freitas (10.º CT4)

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Ficha técnica:

Título original: Mon Oncle
Realização:
Jacques Tati
Elenco:
Jacques Tati, Jean-Pierre Zola, Adrienne Servantie, Alain Becourt
Música:
Barcellini Franck, Alain Romans, Norbert Glanzberg
Género: Documentário
França, 1958, Cores, 120 min.
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Quando a professora Elsa me apresentou o filme “O meu tio” de Jacques Tati, devo admitir que fiquei reticente. Não tinha a certeza se a minha curta experiência com o cinema francês me permitiria avaliar rigorosamente a obra que presumia eu, na altura, ser de uma brilhantia excecional, dado que mo estava a ser recomendado pela crítica inexorável que é a minha professora de Filosofia. No entanto, como irei mostrar, isso não se revelou um problema.

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Sobe o pano, é-nos apresentada uma França citadina que, a julgar pelo vestuário e pelos automóveis, diremos tratar-se dos anos 50. Logo nos minutos iniciais sobressai uma visão que será recorrente ao longo do filme, a abundância de cães abandonados nas ruas da cidade. É de lamentar a falta de um “Domaine de l’autonomie curriculaire” nos anos 50. Mas fechemos o parêntesis. O filme segue a história da família Arpel, que graças à riqueza do seu patriarca, Charles Arpel, conseguiu estabelecer uma vida de sonho: tem os carros mais modernos e possui uma casa virtualmente automática, ao ponto de a Madame Arpel não necessitar sequer de cozinhar, nem de usar uma única maçaneta na casa inteira.

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É neste cenário que entra Monsieur Hulot, o ingénuo e simplório cunhado de Charles. Monsieur Hulot, qual caixa de Pandora, vem perturbar a monotonia da família Arpel, pois parece ter um dom para causar estragos involuntariamente. As tentativas dos Arpel de lhe dar um emprego, uma mulher, ou seja o que for que lhe ocupe o tempo são frustradas: Hulot é inepto para tudo menos uma coisa: crianças. Ao longo do tempo, Hulot desenvolve uma forte ligação com o filho de Charles, Gérard, aliviando-se mutuamente do seu tédio. Por consequência, Gérard priva frequentemente o seu pai do tempo e afeto devido, em prol do seu tio.
Movido por partes iguais de stress e ciúme, Charles, que era simultaneamente empregador e senhorio de Hulot, exila-o para a província, para grande desgosto dos seus vizinhos, que tinham desenvolvido uma forte afeição por este. Porém, nem tudo acaba mal, pois após a partida do tio, Gérard volta a dar a atenção devida ao seu pai.

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O humor deste filme varia entre evidente, nas peripécias de Hulot e Gérard, e subtil, no cuidado quase obsessivo de Madame Arpel pela sua casa. É também de realçar que Monsieur Hulot, o personagem principal, não diz uma única palavra ao longo do filme, o que evoca as comédias mudas anteriores à época.

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Não posso deixar de notar a semelhança que este filme tem com a realidade, e, mais especificamente, com a questão do controlo da tecnologia. Isto porque o casal Arpel tenta incorporar o máximo de tecnologia possível na sua casa, não se dando conta que está, na verdade, a ser controlado por esta. Há, inclusive, uma cena em que o casal se vê aprisionado na sua garagem, em virtude do desajuste da garagem com a praticalidade.

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Em retrospetiva, só me resta agradecer à professora pela sua prestabilidade, pois de outra forma nunca me teria cruzado com este filme, e pela sua perícia em me fazer sair da minha “zona de conforto”.

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