ANIKI BÓBÓ visitou a Casa da Boavista (Residência Sénior)

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Eis uma tarde diferente. Fui à Casa da Boavista exibir e conversar sobre o filme de Manoel de Oliveira, 1942.

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São todos muito simpáticos, até o Sr Morais que assume não ser “filmeiro” porque nos filmes “é tudo fingido”.
Com a preciosa ajuda do Diogo Gonçalves, fui falando das cenas mais emblemáticas do filme à medida que se ia desenrolando. A D. Carmina e a D. Amélia estiveram sempre muito atentas e interventivas. Esta última privou com o realizador que chegou a visitar a Casa de Pascoaes.

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Ás dezasseis horas lancharam e depois ouvi-os falar um pouco sobre as suas infâncias. Por exemplo, enquanto o Sr. Alves era guardador de ovelhas, o Sr. Morais guardava uma cabra e “formou-se” em carpintaria; a D. Mizinha tinha uma loja, O Sr. Alberto serrava madeira num tempo onde “não havia tempo para brincadeiras”, a D. Eva, desde muito novinha, que engarrafava vinho, a D. Amélia passeava de bicicleta com as amigas pelo parque Eduardo VII, vigiada por duas senhoras, antes de se “casar por amor” e vir para Pascoaes.
Curiosamente, muitos deles foram emigrantes que optaram por regressar às origens.

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Um dos momentos mais interessantes foi quando cada um manifestou um sonho, daqueles que possuem asas mágicas. Porque não há idades para formular desejos o Sr. Alves queria “passear como ontem” porque deu um passeio muito bonito por entre as árvores, a D. Eva queria engarrafar vinho, a D. Maria costurar “coturnos”, a D. Amélia Magalhães ir a Santiago, a D. Amélia de Pascoaes gostaria de “voltar a andar” e “que as dores desaparecessem”, a D. Carmina quer “falar com S. Gonçalo, ir a Moure almoçar com a vizinha”, a D. Joaquina “gostava de recuar no tempo e ir para a França ver os netos”, o sr. António gostaria de revisitar Angola. E estes desejos materializaram-se em asas recortadas e esvoaçantes, penduradas numa bonita flor elaborada também por estes persistentes da/na existência.

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E a D. Carmina, com uma lucidez do tamanho dos seus 91 anos, disse-me que nasci com um dom: “o de Animar as Pessoas”. Que belo elogio! E que bela expressão, com duas das palavras que mais admiro “Animar” e “Pessoas”.

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Os bonecos de trapos, Carlitos e Teresinha,  protagonistas  do filme Aniki-Bóbó, foram criados pela Mariana Machado, aluna do Curso de Artes Visuais da Escola Secundária de Amarante, no âmbito do Plano Nacional de Cinema do ano transato.  Isto transforma o PNC numa partilha intergeracional!

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E a D. Carmina, com uma lucidez do tamanho dos seus 91 anos, disse-me que nasci com um dom: “o de Animar as Pessoas”. Que belo elogio! E que bela expressão, com duas das palavras que mais admiro “Animar” e “Pessoas”.
Ofereçam-me um coração de lã. Vermelho. Comme il faut.
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Regressarei a esta “Casa”, por momentos tornada minha.
Muito obrigada por terem tido a generosidade de me fazerem sentir assim.

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